Prejudice & Pride


[...] Caminharam em direção à casa dos Lucas, pois Kitty queria fazer uma 
visita a Maria. E, depois que Kitty os deixou, Elizabeth continuou 
resolutamente com Darcy. Chegara agora o momento de executar o seu 
plano. E, antes que a sua coragem fraquejasse, falou:
— Mr. Darcy, sou uma criatura muito egoísta. E, a fim de aliviar as 
incertezas dos meus sentimentos, vou talvez ferir os seus. Não posso adiar 
por mais tempo a obrigação de lhe agradecer a sua inestimável intervenção a 
favor de minha irmã. Desde que soube o que o senhor tinha feito, fiquei 
ansiosa por uma ocasião de lhe manifestar a minha gratidão. E, se as outras 
pessoas da minha família o soubessem, não lhe falaria apenas em meu nome. [...].
[...] — Se quiser me agradecer — respondeu ele —, faça-o apenas em seu 
próprio nome. Não nego que o desejo de lhe causar prazer tenha 
contribuído também para o que fiz. Mas a sua família não me deve nada. 
Respeito-a muito, mas creio que foi só em você que pensei.
Elizabeth ficou tão embaraçada que não soube o que responder. 
Depois de uma curta pausa, seu companheiro acrescentou:
— Tenho a certeza de que é generosa demais para fazer pouco-caso 
dos meus sentimentos. Se os seus são ainda os mesmos que manifestou em 
abril passado, diga-o imediatamente. Minha afeição permanece inalterada; 
basta porém uma única palavra sua para fazer com que me cale para sempre.
Elizabeth, sentindo a difícil e aflitiva situação em que Darcy se 
encontrava, se esforçou para falar. E, embora de forma hesitante, deu-lhe a 
entender imediatamente que os seus sentimentos tinham passado por tão 
grande transformação desde o período a que ele aludira, que agora podia 
aceitar as suas declarações com prazer e gratidão. A felicidade que essa 
resposta causou em Darcy foi a maior que até então conhecera. E ele a 
exprimiu nos termos mais calorosos que o seu coração de apaixonado pôde 
encontrar. Se Elizabeth tivesse podido levantar os olhos, teria visto que a 
felicidade de Darcy se refletia no rosto, infundindo-lhe uma animação que o 
tornava belo. Se não podia ver, Elizabeth, no entanto, podia ouvir. E Darcy 
lhe revelou a importância que o afeto de Elizabeth tinha para ele. E a cada 
momento o seu amor crescia de importância aos olhos de Elizabeth. [...].
[...]— Eu, que não tinha mais esperanças, voltei a tê-las — acrescentou 
Darcy. — Conhecendo seu caráter, sabia que, se estivesse absoluta e 
irrevogavelmente decidida a me recusar, tê-lo-ia dito a Lady Catherine com 
toda a franqueza.
Elizabeth enrubesceu e sorriu [...].

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